Friday, 24 February 2012

Eu já chorei. Chorei até não entender se tomava banho de chuveiro ou de lágrimas, chorei sentada no canto do box enquanto a água escorria e empoçava em mim, chorei trancada, mordendo a mão, chorei acreditando num desmaio iminente, chorei até não aguentar mais o peso do meu corpo. Eu chorei de noite, molhei o travesseiro. Chorei no dia seguinte também, e saí andando sem rumo pelas ruas com óculos escuros e uma atadura no pulso. Eu gritei. Solucei de desespero. Eu deitei no sofá e só levantei dois dias depois. Eu não comi, não bebi. Três dias sem tomar banho e o verão do Rio de Janeiro não dava trégua do lado de fora.
Vomitei de pavor. Andei na rua de cabeça baixa, com medo de te encontrar, com vergonha de ser reconhecida. Você até tentou dizer depois que foi sem querer, que você seria incapaz de me machucar. Mas eu ainda não sei como lidar com isso. Ainda outro dia vi um cara na rua muito parecido com você e minhas pernas tremeram, aquela louca vontade de vomitar voltou.
No começo, era só engraçado. Me amar, quem diria? Mas depois foi se tornando especial e carinhoso. Eu te comprava flores e cervejas porque gostava do sorriso, dos abraços, do carinho. Aí aconteceu que você me jogou pra fora da sua vida e disse que não me devia desculpas. E diante daqueles olhos passivos e atônitos, que nunca esquecerei, espero encarcerar a memória daquele dia de tempestade de verão.