O INVERSO DO OPOSTO É O CONTRÁRIO
O CONTRÁRIO DO INVERSO É O OPOSTO
O OPOSTO DO CONTRÁRIO É O INVERSO
Eu sigo no sentido contrário
Tudo que é inviável eu priorizo
Em tudo que é incerto eu creio
Eu moro na impossibilidade
Onde não há sentido, eu crio
Na incerteza eu me preservo
No infinito eu me limito
É pro mito que eu me empresto
Se eu personifico a arte é porque eu preciso
Eu sigo no sentido oposto
É abdicando que evoluo
É no receio que eu caminho
Onde não existe terra fértil eu semeio sonhos
É na dúvida que eu aposto
Aquilo que ninguém acredita é o que me move
É na falta de direção que eu sigo
E da fonte de imprecisão que eu bebo
É no jogo do erro que eu me ganho
É na criação que me reciclo
Eu sigo no sentido inverso
É no ponto final que eu recomeço
É do conforto que eu furto a fúria
A conformidade me incomoda
Não há conquista eu me acomode
Nem comodismo que me comova
Sou movido pela escuridão
De qualquer armadilha saio vivo
A corda bamba é o meu chão
E a imprevisão meu paraíso
Paulo Betto Meirelles in Tabuleiro de Egos, pág. 33